domingo, 17 de agosto de 2008

Perfil não-suicida

Me apaixono pela vida quando estou na desgraça.
Verdade, eu tô super feliz com a minha miserável.
Parece que pior não fica e que o sofrimento é salutar.
Delícia.
Agora, euforia mesmo é querer morrer num dia de sol.
De manhã.
Literário e criativo.
Saboroso.
Artístico.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Inspiração

É que eu acabei de ler um trecho do blog do Domingos de Oliveira. Ele estava contando sobre uma manhã atípica e a identificação aconteceu porque agora é manhã e então me questionei se eu estou bem, se é um dia normal, se nos outros dias eu acordei da mesma forma. Imaginei-me lendo o jornal ou se hoje fosse um dia ensolarado, daí me coloquei em outra realidade para poder apreciar a minha.Ele também falou sobre o filme “Batman” que eu até cogitei de assistir mesmo detestando o estilo.
Tudo isso me fez querer escrever porque eu sei que é uma forma de sistematizar a angústia e no fundo a gente aprecia sistematizações pela segurança que ela nos proporciona. Ele até depois de discorrer sobre algumas coisas, disse que estava mais tranqüilo. Dá para perceber que ele se acalmou depois que se concentrou para escrever.
Para ser honesta, eu tenho desabafado um pouco por aqui, mas acabo apagando tudo. Sempre me defronto com a distância entre o que eu sentia e o que foi expresso e acabo enxergando isso como um sintoma de fracasso e há ainda orgulho para não deixar que ele seja o molde da minha existência.
Eu apago porque ainda tenho a impressão de que alguém vá ler, embora os números apontem na direção contrária, mas leriam se eu divulgasse e aí é melhor apagar, afinal tá uma merda. Às vezes com muito drama e poucas sugestões, ou então muito subjetiva com uma leitura complicada até para mim. Melhor deletar mesmo.
Mas hoje foi o Domingos quem me inspirou e eu me sinto tão próxima dele. Como uma professora da faculdade numa aula sobre a Clarice Lispector, eu perguntei que tipo de técnica a escritora usava, se tinha algum termo análogo ao “fluxo de consciência”. Eu perguntei isso bem entusiasmada, explicitando que achava mágicas as imagens que ela propunha ela me disse que não havia nenhum, que aí era somente a identificação do leitor.
E é engraçado porque não preciso falar sobre nada, mas sinto que tem alguma alma, porque me sintonizo com a energia dessas pessoas e isso é o bastante, tem significado.
Talvez seja esse o impulso de que preciso para conseguir me expressar, mas não posso afirmar nada. Só sei que assim como ele me sinto mais calma agora.