sexta-feira, 14 de março de 2008

Eu moro lá onde o pessoal tem o cabelo mais enroladinho e trabalho aqui, lugar em que as pessoas são mais puxadas para o cinza transparente. As texturas são diferentes, três ônibus e as cores mudam, o carros se enobrecem, as fisionomias se precipitam, e as minhas expectativas se corroboram. Estão roubando minha força, a classe média é minha inimiga. A criatividade que eu julgava ter cultivado com tanta melancolia acaba em morbidez e causa estranhamento nos meus colegas de trabalho. Eles não gostam de mim e eu tampouco deles. Na minha cabeça uso o marxismo para argumentar contra essa gente, com a minha alma, não acredito na diferença proposta por eles.
Até quanto tempo eu não sei se agüento, não consigo me libertar desse pesadelo que é prisão de ser só a que não se adapta. A liberdade existencial está bem perto de ser uma idealização, não me adapto. Não consigo fugir dessa síndrome, a do isolamento.

2 comentários:

Fabiana Barr disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fabiana Barr disse...

dá nacara deles fia!!!